
A Praça dos Girassóis, em Palmas, foi palco de fé, emoção e expressão cultural na noite de Sexta-Feira da Paixão, 3, durante a tradicional encenação da Paixão de Cristo, realizada pela Companhia Art Sacra juntamente com o Instituto Nativus.
O espetáculo, que chegou à sua 22ª edição, reuniu centenas de participantes e contou com o apoio do Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Secretaria Executiva da Governadoria (Segov), além de apresentação musical da banda Vozes de Ébano.
O secretário-executivo da Secult, Matheus Martins, esteve no evento representando a pasta e destacou que iniciativas como a encenação da Paixão de Cristo evidenciam a importância do investimento público na cultura. “Este espetáculo reconhece a importância das manifestações religiosas como patrimônio cultural. Parabenizamos toda a Companhia Art Sacra por esse trabalho e reforçamos a parceria para que ações como essa continuem acontecendo”, destacou.
A programação teve início com um momento de reflexão conduzido pelo arcebispo da Arquidiocese de Palmas, Dom Pedro Brito Guimarães, que destacou o significado coletivo da encenação. “É uma alegria poder fazer isso ano a ano, uma paixão feita por muitas mãos, a mão de Jesus e dos irmãos que hoje aqui estão representando”, afirmou.
Com aproximadamente 350 pessoas diretamente envolvidas, entre elenco e equipe técnica, o espetáculo mobilizou voluntários de diferentes origens e crenças, incluindo pessoas em regime socioeducativo e integrantes de comunidades indígenas de Tocantínia. O diretor da Cia Art Sacra, Valdeir Santana, ressaltou o caráter inclusivo e a missão do projeto. “A equipe da Art Sacra acolhe pessoas em situação de regime socioeducativo e também a comunidade indígena, com atores de três aldeias. Nós nos sentimos corresponsáveis por levar uma mensagem de amor e esperança por meio da arte, independente de religião. O espetáculo é feito totalmente por voluntários, e o apoio da Secult é primordial, tanto financeiro quanto logístico, especialmente no transporte dos indígenas, que enfrentam longas distâncias para participar dos ensaios e da apresentação”, explicou.
A emoção tomou conta também dos atores que deram vida aos personagens bíblicos. Pedro Jorge, que interpretou Jesus, pontuou a intensidade da experiência. “Me sinto extremamente honrado por interpretar Jesus. Foi um processo doloroso, fisicamente e emocionalmente, e espiritualmente desafiador. Eu sou evangélico e passei a ver Jesus de uma forma diferente, como se estivesse vivendo na pele”, relatou.
No papel de Maria, mãe de Jesus, Jeovana Maciel, integrante da companhia desde 2018, destacou a transformação pessoal proporcionada pela vivência artística. “Eu pude experienciar uma mudança na minha vida para além do espetáculo. Não é apenas uma representação teatral, é um processo de cura. Para mim é inexplicável, por isso todo ano estou aqui dando o meu sim”, afirmou.
A servidora da Secult Nubia Cursino participou da encenação como atriz pela primeira vez e celebrou a experiência. “É uma alegria enorme participar da Paixão de Cristo como atriz. Me sinto lisonjeada. É uma emoção muito forte”, comentou.
Entre o público, o padre Martins Rodrigues Putencio, veio de Tocantínia acompanhado de fiéis, destacou a importância de levar a fé para além dos espaços religiosos. “A nossa fé precisa sair de dentro da igreja, e hoje aqui é uma expressão disso. A fé também é cultura, é história, é vida. Quando vai para a praça, alcança pessoas que muitas vezes não conseguimos atingir dentro da igreja. A arte e a cultura se tornam um sermão vivo, fora dos muros”, ressaltou.
Sobre a Cia Art Sacra
A Companhia Art Sacra teve início em 2005, a partir da iniciativa de jovens católicos entusiastas da arte teatral. Desde então, o grupo se consolidou como uma das principais referências em teatro religioso no Tocantins. A encenação realizada neste ano marcou a 22ª edição do espetáculo Paixão de Cristo, reafirmando a força da arte como instrumento de fé, inclusão e transformação social.